Para o meu eu são
Oi eu antigo,
Sabe, você poderia ter chorado menos. Vivido mais. Sofrido menos. Aproveitado mais. Sonhado menos. Até porque nenhum dos seus sonhos se tornou realidade até hoje, não é? Tudo que um dia você já pensou em ser. Médica, artista famosa, ser mãe, construir uma família, melhores amigos pra sempre... nada disso aconteceu. Você se foi sem nenhuma realização memorável.
Lembro que você amava dançar. Em certas épocas da vida, era a única coisa que te mantinha feliz. A única coisa que te mantinha sã de verdade. Você não era muito boa nisso, e nunca poderia ser profissional, mas definitivamente isso te motivava. Te deixava tão feliz... mas aí ela veio: a depressão. E conseguiu tirar até isso de você. Toda felicidade que você sentia ao tocar com a chapinha do sapato de sapateado no chão se tornou um mártir pra você. A vontade de chorar vinha no meio da aula e tudo o que você queria era sentar e encolher as pernas, como uma criança contrariada. Chorar até soluçar e se tornar fisicamente impossível permitir que as lágrimas caíssem. A vida tirou até isso de você. Como naquela música que você chorava absurdos ao ouvir: "Now life has killed the dream I dreamed...".
As pessoas passaram a te procurar cada vez menos. Cada vez mais você foi se tornando insignificante para os outros.
Será que a sua vida inteira só foi parte da vida dos outros? Sem importância, mas sim necessidade. Todos precisam de uma coisa. E você fez parte dessas coisas das quais precisavam. Mas ninguém conseguiu te dar o que precisava. Tudo que você precisava era um abraço e ouvir que "vai ficar tudo bem"... Mas isso nunca aconteceu, não é mesmo?
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